Presidente do PSD, Kassab abandona governo Bolsonaro: “O cheiro não é bom”

Kassab abandona governo Bolsonaro – Matéria assinada pelos jornalistas Julia Duailibi e Octavio Guedes no G1 traz entrevista concedida pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, à Globo News nesta segunda-feira (28). Kassab deixa claro que a sigla abandonou o governo de Jair Bolsonaro.

“Nunca fomos base, sempre fomos independentes. O cheiro não é bom. A minha impressão é que a situação do governo estará pior ainda, melhorar não vai”, disse o cacique partidário.

Integrante do grupo de 11 presidentes de partidos que, nesse final de semana, se posicionaram contra a impressão do voto, Kassab afirmou nesta segunda-feira (28), em entrevista à GloboNews, que a proposta tem como objetivo “questionar” a eleição de 2022.

“Eu não tenho nenhum constrangimento em dizer que eu estou muito preocupado, e a minha experiência me diz que: o cheiro não é bom”, declarou. “Então, vamos trabalhar para que aqueles que, eventualmente, venham a estar armando para questionar as eleições, para criar tumulto, não sejam bem-sucedidos nos seus objetivos.”

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Comissão especial da Câmara dos Deputados analisa a tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição que prevê a impressão do voto do eleitor, após a digitalização dos números dos candidatos na urna eletrônica.

O relator da matéria, Filipe Barros (PSL-PR), deve apresentar nesta segunda-feira o seu relatório sobre o tema. Além da possibilidade de quebra do sigilo do voto, algo que pode gerar debate sobre a constitucionalidade da medida, a PEC pode trazer um custo bilionário para os cofres públicos e é considerada um retrocesso, uma vez que as urnas eletrônicas já são auditáveis, inclusive em processos dos quais participam os partidos.

A retórica contra as urnas, no entanto, tem sido defendida por aliados do presidente Jair Bolsonaro, que já disse mais de uma vez que as eleições de 2018 foram fraudadas – nunca apresentou provas e recentemente foi alvo de um pedido de esclarecimentos a respeito do tema pelo corregedor do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Felipe Salomão.

Como resposta à tentativa de criar dúvidas sobre o sistema eleitoral – que, na visão dos presidentes dos partidos, busca colocar em dúvida a própria eleição e o sistema democrático -, presidentes de partidos se reuniram com o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, e o ministro do STF Alexandre de Moraes, o próximo a assumir a presidência da Corte eleitoral, com o objetivo de evitar um retrocesso na matéria.

Desse encontro, surgiu a ideia do posicionamento dos 11 – posicionamento que torna mais difícil a aprovação da matéria, apesar da posição favorável à apreciação do tema pelo presidente da Câmara, Arthur Lira.

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Kassab, que já foi aliado de Lula, Dilma e Temer, também falou sobre a situação do governo atual, após o avanço das investigações da CPI:

“A minha impressão é que a situação do governo estará pior ainda, melhorar não vai.”

Ele defende uma candidatura de centro, para fazer frente a Bolsonaro e ao ex-presidente Lula. O principal nome no radar de Kassab é o do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, hoje no DEM.

Confira abaixo a entrevista concedida por Kassab:

  • Por que houve a decisão dos partidos de serem contra a impressão do voto?

Realmente houve essa reunião e estamos muito preocupados com a discussão. Fica claro que isso faz parte de todo um processo de questionamento da apuração das eleições em 2022. Até porque as urnas são seguras, elas tem sido auditadas em todas as eleições, estão passando por todos os critérios de avaliação. Não tem sentido a gente questionar o resultado com tanta antecedência. Quantas vezes num fechamento do dia há discrepância do que está no caixa e dos dados eletronicamente disponíveis? Muitas vezes esses erros são falha humana. Num caixa do banco, alguém que era pra dar 100 reais deu 90, alguém que não checou o troco. Pois bem, numa urna apurada, dois sistemas de apuração. Primeiro: o sistema humano está sujeito a fraude. Está sendo tentado com muita antecedência questionar o resultado das eleições. Eu não tenho nenhum constrangimento em dizer que eu estou muito preocupado e a minha experiência me diz que: o cheiro não é bom. Com tanta antecedência questionar a eleição, organização de movimentos, questionamento de urnas… oras, vamos nos precaver. Porque a democracia não pode ser negociada. Ela é baseada no voto e na seriedade da nossa apuração.

  • É cheiro de quê? Golpe? Anarquia armada?

Primeiro, suposição minha, espero estar errado, mas a experiência me leva a crer que é cheiro de questionamento. De questionamento por antecedência do resultado das eleições. E não há nenhum motivo pra haver esse questionamento. Tivemos várias suposições, denúncias ao longo desses anos de plantação do voto eletrônico e em nenhum momento foi verificado nenhuma sugestão de fraude, desvio, irregularidade. Essa é a nossa preocupação. Felizmente, os partidos estão atentos. É evidente que nessa reunião uma serie de contribuições vão surgir para aperfeiçoar o sistema, nessa própria reunião surgiu a discussão de maior transparência, não na apuração, mas no sistema de auditagem. Não um questionamento moral, mas é para que os partidos e a sociedade possam enxergar como é feito o sistema de auditagem, que existe isso. São percentualmente selecionadas algumas urnas que fazem esse sistema de auditagem. Não que seja uma caixa preta, que é um termo muito duro e incompatível com a seriedade do sistema eleitoral, mas é algo que traz ansiedade, um pouco de insegurança no sentido de falta de conhecimento, então isso é uma demanda muito importante levada à Justiça Eleitoral para que os partidos possam formalmente, através de lei ou de alguma medida semelhante, acompanhar as auditagens que são realizadas desde o primeiro ano e têm apuração eletrônica, e a sociedade também possa ter plena consciência de como isso acontece. E outras medidas de aperfeiçoamento que têm sido adotadas eleição após eleição, então vamos trabalhar pra que aqueles que, eventualmente, venham a estar armando pra questionar as eleições pra criar tumulto não sejam bem-sucedidos nos seus objetivos.

  • Há resistência no Congresso a essa proposta?

Mesmo que houvesse uma maioria pra aprovar essa medida absurda, imagina uma apuração com 2 sistemas, mas mesmo que houvesse aprovação, não há tempo hábil pra que a gente possa comprar urnas compatíveis com esse novo modelo, para que a Justiça Eleitoral se prepare para esse novo modelo. Para as eleições esse ano, não haveria tempo hábil. Eu tenho dito sempre, partindo do princípio que exista boa-fé, que não acredito, nas ponderações, nas manifestações em relação aos questionamentos dessa urna, não é fácil abandonar uma e voltar pro voto impresso. O que não dá é pra conviver dois sistemas paralelos. Agora eu, no início da minha carreira, convivi com o voto impresso, e eu posso afirmar pra vocês que é quase impossível no Brasil, nos dias de hoje, com as dificuldades que a gente tem, voltar ao voto impresso. Aí, sim, o risco de fraude é muito grande, porque a fiscalização é muito difícil, mas muito difícil mesmo.

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  • O PSD ainda é da base aliada do governo Bolsonaro?

Nunca fomos, né? O PSD apoiou no primeiro turno a candidatura do Geraldo Alckmin, no segundo turno o partido liberou o voto, dando aos seus militantes, parlamentes, a liberdade de definir seu voto. Iniciou-se o governo, venceu o atual presente, o partido publicamente se manifestou independente e é independente até hoje. E isso, evidentemente, dá aos parlamentares, que estão no Congresso Nacional, essa independência que o partido lhes dá, a oportunidade de estar alguns mais próximos, outros mais distantes, mas o partido em nenhum momento teve essa vinculação. Algumas vezes estive com presidente, nesses três anos, todas elas públicas e vamos continuar independentes e agora já se preparando para o partido apresentar uma candidatura própria à presidência e também o maior número possível de governadores. Eu sou protagonista na proibição da coligação nacional, nós não conseguimos isso na última eleição, acho ridículo termos partidos para disputar eleição, mas na hora ele apoia um candidato de outro partido. Numa eleição que não tem dois turnos dá para entender, mas em eleição de dois turnos apoiar outro candidato, é melhor não existir partido.

  • Mas o ministro da Comunicação é do partido, Fabio Faria… É possível uma terceira via?

O partido nunca foi da base do governo, não será nesse último ano e trabalhamos para uma candidatura própria ano que vem. Em relação ao Fábio Faria, ele fez uma escolha de aderir ao governo de forma transparente e firmamos um acerto que ele não estaria mais no partido, mas juridicamente ele ainda tem que se desligar. Sua indicação ao governo não passou pelo partido, porque ministro do partido seria inegociável, porque criaria uma proximidade com o governo que não queremos. Mas o PSD não está alinhado com o quanto pior melhor, projetos bons votamos a favor. Em relação às pesquisas, elas falam por si só. Eu aprendi a acompanhar e interpretar as pesquisas, até porque elas representam o sentimento do cidadão. Geralmente, o eleitor está certo e, quando de uma maneira majoritária eles querem algo, é porque estão certos e deve ser feito. Fica claro, nessas últimas pesquisas, que existe uma rejeição. Fica claro que o atual governo tem vivido um desgaste muito grande, gradual e num ritmo que não bate. Na semana passada essa pesquisa ela foi muito ruim pro governo. Na minha avaliação, o governo em uma semana tem uma visibilidade muito grande em relação à demissão do ministro do Meio Ambiente depois de denúncias muito graves. Um presidente que tira a máscara de uma criança… Qualquer um que tenha o mínimo de bom senso está preocupado com as medidas de distanciamento, é a bola da vez, só se fala nisso e aí ele vai lá e tira a máscara de uma criança. Depois vem a CPI com fatos novos do presidente. Tudo isso com certeza contribuiu. Eu sei que as pesquisas são retrato do momento, mas, quando chega a campanha, muda a cabeça do eleitor e ele acaba dando outras importâncias. Eu tenho plena consciência que um candidato do centro pode crescer…

  • Como o senhor vê a situação do governo?

Por mais crítica que seja a minha avaliação, eu queria dizer que precisamos dar oportunidade pra que ele se manifeste. Mas o cheiro não é bom. Muito desgaste, posicionamentos muito estranhos, um presidente que não manda apurar, um deputado que parece ter muita coisa pra revelar. A minha impressão é que a situação do governo estará pior ainda, melhorar não vai.

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