Mandetta: Pazuello é “quase um réu confesso”

Mandetta x Pazuello – Em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse que, ao pleitear o direito de ficar calado na CPI da Covid, Eduardo Pazuello demonstra medo de enfrentar as próprias ações.

“Ele não tinha preparo para ser ministro da Saúde. Assumiu um cargo sem preparo. Também é uma tentativa de se abrigar sob a farda trazendo o Exército como proteção. Não sabe se vai fardado ou de civil na comissão. É quase um réu confesso. Esse fato de recorrer ao STF para solicitar direito de permanecer calado significa que ele tem coisas a esconder”, disse Mandetta sobre Pazuello.

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O ex-ministro considera que a comissão de inquérito está em uma semana de ricos depoimentos daqueles que estavam à frente do governo. Além disso, servirá para esclarecer os repasses para estados e municípios. Segundo ele, essa nova linha poderá desviar o foco da CPI.

Kit-ilusão 

O tratamento precoce, defendido pelo presidente Jair Bolsonaro e outros integrantes do governo, como Pazuello, foi classificado por Mandetta como “kit-ilusão”.

“É fácil de produzir, qualquer laboratório de disciplina faz. Ele colocou isso pra primeiro dizer: eu dou aquilo. Eles ficaram brincando de iludir. Fizeram esse kit ilusão para iludir as pessoas, enquanto eles comemoravam o número de pessoas infectadas. A cloroquina foi só diversão, nunca foi por saúde, nunca foi por ciência”, afirmou o médico.

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Para Mandetta, Bolsonaro queria que as pessoas fossem infectadas para causar o “efeito rebanho”, técnica que faz referência a uma tática de imunização. Por meio dela, uma determinada parcela da população se torna imune a uma doença desenvolvendo anticorpos contra o agente causador após ser exposta ao vírus. As pessoas imunizadas acabam agindo como uma barreira, protegendo toda a população, mesmo aqueles que ainda não são imunes.

Segundo ele, o chefe do Executivo é movido ao ódio. “O presidente vive de dar carne aos leões todos os dias. Ele montou um coliseu, uma guerra na internet para plantar ódio e divisão das pessoas. Ele colocou ódio aos governadores e prefeitos que estavam tentando minimizar os impactos, ódio nas pessoas que estavam trabalhando na linha de frente. Ele trabalha com ódio. Ódio é o combustível daqueles que o dão suporte”, confessa.

Saúde x Economia

Mandetta esclareceu seu depoimento à comissão quando citou o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ao colegiado, o médico falou que Guedes era “desonesto” e “pequeno para o cargo que ocupa”. Afirmou que os adjetivos usados foram os mais simplórios.

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Segundo o médico, durante a pandemia, o ministro da economia atendeu aos pedidos para uma reunião entre as pastas. “Quando você tem uma situação que a economia, uma pandemia que afeta a economia, a primeira ação de qualquer ministro que esteja numa pasta daquele tamanho, deveria ser construir com o ministro da Saúde. Ele nunca fez uma reunião com o ministro da saúde. Eu telefonei mais de dez vezes para o Paulo Guedes, para trocar ideias com ele e ele não atendia. Pequeno pelo tamanho do cargo que tinha e pelo número de possibilidades de ações que tinha pra fazer e não fez”, apontou.

Eleições 2022

Mandetta disse  ainda que se for candidato prefere enfrentar Ciro Gomes (PDT) do que Lula ou Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Ele justifica a escolha dizendo que gostaria de encarar uma pessoa que tivesse mais conteúdo.

“Eu acho que seria muito legal um segundo turno, eu e o Ciro Gomes, por exemplo, acho que seria a melhor coisa pro Brasil. Teriam dois caminhos mais repaginados. Acho que seria mais bacana. Melhor pro Brasil, melhor para a sociedade”, afirma.

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Mandetta, entretanto, reforça que ainda não sabe se será candidato em 2022. “Meu plano principal é exercer a minha cidadania, a minha lucidez ao máximo e lutar pelo meu país. Se isso vai ser como candidato à presidência, já é construção e discussão com vários partidos que comunguem dos mesmos projetos”.

De acordo com ele, um embate entre Bolsonaro e Lula na corrida presidencial seria ruim para o Brasil e para as próximas gerações.

Fonte: Congresso Em Foco/UOL

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