Opinião: “Os juros brasileiros devem ser os mais altos do mundo?”

Juros brasileiros – O desenvolvimento do cenário nacional e internacional apontam para um pacote de estímulos no mínimo relevantes para os países desenvolvidos, com Estados Unidos e Alemanha puxando um pacote relevante para engatar o crescimento e, nacionalmente, um freio começa a concretizar o fim da trajetória dos juros baixos no Brasil, que funcionou como a principal medida de estímulo durante o ano passado e que foi caracterizado como forward guindance.

O pacote fiscal prometido nos EUA com o “Plano Biden” promete estimular o crescimento, concomitantemente ao progresso da vacinação no país, elevando progressivamente a atividade econômica no segundo semestre de 2020. No Brasil, um cenário um pouco menos otimista é desenhado, ainda que sem a projeção e planejamento para medidas que encaminhem o crescimento/atividade brasileiro no período ainda incerto que sucederá a crise.

Em relação aos juros, o Banco Central do Brasil manterá as sinalizações propostas em sua última ata do mês de maio, que elevou a SELIC em 0,75 p.p., saindo de 2,75% a.a. para 3,50% a.a. A próxima reunião, se acompanhada a prescrição da última ata, caminha na mesma direção de mais uma elevação da SELIC, mas o mais aguardado é sim a análise de conjuntura que balizará esta elevação.

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Por que o Brasil deveria elevar os juros como sinal de estabilidade frente a (i) um cenário econômico com grande capacidade ociosa e (ii) alto desemprego?

Neste cenário básico, o mantenimento da taxa de juros em patamares mais baixos torna-se viável, especialmente se seguir um padrão internacional de atuação, mas a elevação da taxa de juros proporcionará um aumento da dívida pública, visto a remuneração que pagará aos detentores da dívida. Com um olhar neste fluxo de aumento, o mês de abril registrou um maior fluxo de capital internacional no Brasil, isto de olho no cenário quase certo de elevação da taxa básica de juros ao final de 2023 em torno de 4,50% e 6,00% a.a. Os juros DI para janeiro de 2022 fecharam abril em 4,64%, para 2023 com projeções para 6,25%. Para 2025 as projeções continuaram estáveis, próximas de 7,72% (VALOR, 30/04/2021).

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A dívida bruta dos governos no Brasil caiu de R$ 6,744 trilhões em fevereiro para R$ 6,721 trilhões em março, segundo dados do Banco Central (BC). Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), a dívida passou de 90% para 89,1%.

A relação dívida/PIB no Brasil mostrou redução de 0,9 p.p. se comparada ao mês anterior, saindo de 90% para 89,1%, caindo de R$ 6,721 trilhões em fevereiro para R$ 6,744 trilhões em março. O desempenho exibido está relacionado com desvalorização cambial de 3,0% (redução de 0,6 ponto percentual); crescimento do PIB nominal (0,4 ponto); superávit primário (0,1 ponto). Contudo, a elevação da taxa básica de juros nos últimos meses atuou em sentido oposto, elevando a dívida (aumento de 0,7 ponto).

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No último mês a elevação da inflação tem colocado os policy makers do Banco Central com um olhar mais firme diante do futuro e, seria este o maior detentor de balizar as expectativas de elevação da SELIC. Diante de uma meta fixada de 3,75% para 2021, com uma banda de flutuação de 1,5 p.p., o Banco Central definiu um limite de flutuação extremamente restrito para a inflação (que agora terá que correr atrás para cumprir). Ao que tudo indica, o IPCA em 2021 se localizará acima da meta, com o BCB buscando alinhar os juros para restringir a demanda e locar a inflação mais próxima dos 3,5%. As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 foram mantidas em torno de 4,6%, 3,5% e 3,25%, respectivamente.

A preocupação acerca das contas do governo está atrelada ao diagnóstico para a elevação dos juros. Este movimento seria desempenhado especialmente por conta dos estímulos monetários proporcionados ao longo do ano passado que deveriam ser reajustados de maneira que devolvesse a “normalidade” do cenário financeiro nacional, mas seria realmente interessante trazer para a conjuntura brasileira o cenário de juros próximo aos patamares 2018/2019? Existe algum cenário concreto que justifique modificações brutais nos fatores de produção que inviabilizam uma taxa de juros próxima dos 2,00% a.a.?

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O questionamento fica, mas o olhar para a inflação deveria dar mais relevância especialmente à composição da elevação dos preços de itens essenciais da cesta básica de consumo do brasileiro que tem elevado o IPCA, especialmente diante de um cenário de demanda crescente por produtos alimentícios e de aumento das exportações diante do estímulo proporcionado pela taxa de câmbio depreciada.

Os indicadores apontam uma provável queda do PIB para o primeiro trimestre de 2021, mas mantido o ritmo de vacinação ainda pouco efetivo sobre o contingente total da população, as projeções de crescimento para o Produto estão entre 2,5% e 3,0%, segundo o IPEA, o que nos manteria em patamares anteriores a 2012.

Por Emerson Braz, economista pela PUC-SP, escritor do Boletim de Conjuntura do Departamento de Economia Política (DEPE) da PUC-SP, trabalha no mercado financeiro e organizador do Sarau APOEMA no Jardim Ângela

Este texto é opinativo e não reflete, necessariamente, a opinião do site Brasil Independente.

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