Opinião: Lula no Reinaldo Azevedo: O que diria a esquerda lulista?

Sobre a entrevista do Lula ao Reinaldo Azevedo em 01/04/21:

O que diria a militância da Esquerda Lulista se Lula tivesse dito na entrevista que depois de “cansar de perder as eleições” presidenciais conversou com o seu partido e decidiu se unir à Direita Liberal em 2002 para, finalmente, vencer?

Seria muito estranho ele dizer isso hoje, uma vez que ele e demais quadros de seu partido, como Haddad, criticam e jogam na Direita quem, atualmente, busca este caminho para o pleito de 2022, não?

O que diria a militância da Esquerda Lulista se Lula, que sempre declara com muito orgulho que “jamais na história deste país os bancos tiveram mais lucros do que tiveram durante os seus governos”, tivesse dito na entrevista que “esse mercado, se tivesse juízo, ia para Aparecida do Norte pagar promessa para eu voltar”?

O que diria a militância da Esquerda Lulista se Lula, ao ser perguntado sobre privatizações pelo jornalista que se autodeclara um Liberal convicto, tivesse dito que “Furnas, Caixa Econômica Federal e Eletrobrás poderiam ser transformadas em empresas de economia mista”?

Suponho que a militância Lulista não diria nada, como não dirá, pois Lula falou exatamente tudo isso e muito mais…

Como já está acostumada, esta militância tapará o nariz, cobrirá os olhos e engulirá o sapo a seco, sorrindo, lacrando e cancelando os opositores do “Santo Lula” loucamente, como sempre.

Na entrevista ao Jornalista Reinaldo Azevedo, Lula mostrou, mais uma vez, que o seu projeto para o Brasil é o pobre ter o poder de consumo suficiente para conseguir “fazer um puxadinho, comprar uma bistequinha, comprar uma cervejinha geladinha”.

Ou seja, o Lula pretende, se eleito, retepetir a mesma política econômica dos seus governos anteriores, alçando o pobre ao patamar de consumidor, mas não, necessariamente, ao patamar de cidadão pleno de direitos vivendo em uma sociedade na qual o Estado lhe garanta todos os serviços, de sua responsabilidade, previstos na Constituição Federal.

Não se vê um projeto de médio e longo prazo para o Brasil.

Não se fala em reindustrialização do país.

Não se fala em investimento na Educação Básica como estratégia para que o país possa, dentro de alguns anos, alcançar o nível de Educação que provocou verdadeiras revoluções sociais e econômicas em países como a Finlândia, que optou por propiciar uma Educação Básica de alto nível para toda a sua população e em menos de 20 anos deixou a pobreza e o subdesenvolvimento para trás.

Não se fala em tributação de lucros e dividendos.

Não se fala em taxar grandes fortunas e grandes heranças.

Enfim, não se fala nada que possa abalar a camada da sociedade que apoiou a sua reeleição em 2006 e a eleição da Dilma em 2010: A elite econômica, que tanto se beneficiou da política econômica dos governos do PT.

Governos do PT que, aliás, nunca ameaçaram os interesses desta mesma elite e, jamais, representaram uma “ameaça” de provocarem mudanças estruturais na formatação social, econômica, cultural e política do país.

Por Fabiana Moretti, formada em Letras pela USP, com Licenciaturas nas áreas de Língua Portuguesa e Inglesa, Linguística e Pedagogia. Mestre em Linguística também pela USP, é Diretora de Escola na Rede Municipal de Ensino de São Paulo.

Este texto é opinativo e não reflete, necessariamente, a opinião do site Brasil Independente.

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