Gustavo Castañon: O estranho caso do candidato que não pode criticar o oponente

Gustavo Castañon – A imprensa brasileira continua insistindo na tese da “mudança de discurso” de Ciro sobre Lula. Insinuam ser uma jogada de marketing de João Santana. O PT faz o mesmo. Coincidência?

É claro que não, nem coincidência nem erro, é tática. Folha e Estadão continuam sonhando com uma terceira via neoliberal, para fechar o caixão do futuro do Brasil. Com Bolsonaro, Lula e a “terceira via” defendendo o mesmo modelo econômico, o TINA (there is no alternative) estaria consolidado.

E o PT? O PT sonha com a mesma coisa. Porque assim faria uma campanha baseada na “cerveja e picanha” sem um candidato que morderia parte de seus votos e questionaria sua falta de projeto, política econômica neoliberal e o desastre gigantesco onde acabou sua era de poder no governo federal.

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Lula sabe que a maior ameaça à sua candidatura não é Bolsonaro. Bolsonaro é seu verdadeiro trunfo. É só contra o desastre da caricatura do mal, da ignorância, da incompetência e da corrupção de Bolsonaro que o PT pode voltar a parecer aceitável para a maioria do povo brasileiro. É só contra a ameaça à democracia que ele representa que Lula pode sonhar em voltar a contar com uma parcela dos votos do centro.

E eles querem fazer a campanha nas mesmas bases de sempre.

Se você não vota em nós, está com os fascistas.

É por isso que o PT sabota os esforços pelo impeachment e Lula não assina nenhum de seus pedidos.

“Polarização ou morte!”

Mas a polarização é que tem sido a morte do Brasil que amávamos.

O maior problema nessa estratégia petista é Ciro. Eles não podem deixá-lo encarnar a terceira via. Daí o discurso de “mudança de discurso”. Quando eles dizem isso, eles dizem “ele sempre foi PT, agora está assim por oportunismo”. Mas é exatamente o contrário.

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Ciro sempre criticou o PT pelos mesmos motivos. E há quatro anos essas críticas se tornaram ainda mais severas. Não houve mudança alguma agora, exceto, uma amenização. Logo após as eleições, Ciro falava que tinha perdido completamente o respeito por Lula. Hoje ainda diz que sente algum afeto por ele. Eu lamento. Não devia sentir nenhum.

Endurecimento aconteceria se começarmos agora a fazer campanha mostrando o rio de esgoto que foi a corrupção no governo petista, em vez de defender um projeto antagônico. Já pensaram?

Não há qualquer oportunismo na coerência. O oportunismo está na incoerência de Freixo e de Boulos.

As críticas que Ciro faz ao PT, todas, Freixo e Boulos faziam de forma muito mais radical. Vocês já se esqueceram do “Não Vai ter Copa” de Boulos, que denunciava a ausência do PT na construção de uma infraestrutura urbana inclusiva, ou da luta do Freixo contra as milícias cariocas, que ganharam hegemonia no governo Cabral com o apoio de Lula? Pois é.

Agora estão aí, dispostos a participar da quinta campanha do PT prometendo guinada à esquerda com Meirelles na fazenda (ou na vice presidência). A quinta campanha da “picanha com cerveja”, sem projeto, sem proposta, sem defesa dos interesses nacionais e com promessa de privatização da Caixa e da Eletrobrás. A quinta campanha de um modelo econômico velho e esgotado que sequer conseguirá garantir o feijão com arroz no longo prazo.

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Freixo ao menos se desfiliou do PSOL. Boulos ainda quer sequestrá-lo. O que destrói políticos e partidos não é a mudança, mas a incoerência e a irrelevância no debate público. O PSOL está perdendo sua seiva e sua coerência ao se tornar puxadinho do projeto neoliberal do PT. Já perdeu os votos de Freixo. Agora tende a ser esmagado na cláusula de barreira por se tornar satélite petista. E ainda pode vir o distritão…

A volta de Lula mudou o tabuleiro eleitoral. O PT, que caminhava para a derrota em primeiro turno, agora é favorito para chegar ao segundo. Mas a eleição não será um plebiscito entre o bolsonarismo e o petismo.

Nunca, nos últimos vinte anos, houve uma rejeição maior à polarização e aos seus representantes.

Vai ter terceira via, forte, e a grande questão para todos agora não é “se”, mas “quem”.

E é claro que podemos derrotar a polarização e o fascismo ao mesmo tempo. É só votar num terceiro candidato. Aliás, quem realmente está contra o fascismo deveria lutar para tirá-lo do segundo turno desde já. E isso não acontecerá votando em Lula, que nem no auge da popularidade e sentado na cadeira de presidente conseguiu vencer no primeiro turno. Tentar concentrar votos em Lula só vai reforçar Bolsonaro, pois joga para ele aqueles que detestam mais ao PT.

É por isso que Lula é implacável com seus aliados. Ele avança enquanto pode no seu projeto de destruição dos partidos de esquerda brasileiros. Está estilhaçando o PCdoB para garantir seu controle do PSB. Está destruindo o PSOL por dentro com Boulos e por fora tirando Freixo. O próximo da lista será o PSB. Com o avanço de Ciro, os candidatos que não querem associação com Lula acabarão saindo do partido, e o diretório de Pernambuco acordará isolado, cercado por Lula.

E enquanto ele destrói partidos e desarticula o impeachment, a morte pela peste, a fome e o desemprego destroem a vida dos brasileiros.

Detalhes insignificantes na sua estratégia política e eleitoral.

Por Gustavo Castañon, trabalhista e professor de filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora

Este texto é opinativo e não reflete, necessariamente, a opinião do site Brasil Independente.

Fonte: Portal Disparada

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